quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Aguapés dominam a Lagoa da Petrobrás



A aglomeração de aguapés na Lagoa da Petrobrás forma um "grande tapete verde". A lagoa está parecendo um enorme gramado...



Excesso de aguapés indica o alto índice de poluição da lagoa. O aguapé é uma vegetação aquática que prolifera somente em ambientes poluídos (em águas puras, ele não tem vez: não consegue crescer, fica parado). Isso porque a poluição confere à lagoa um alto índice de nutrientes, que permite o aparecimento desse tipo de vegetação. Em pequenas quantidades, o aguapé age como um filtro natural e ajuda a despoluir a água, mas em grandes proporções, como está hoje, na Lagoa da Petrobrás, denuncia a quantidade excessiva de poluentes na água, trazidos pelos efluentes domésticos.






Quanto mais poluído o ambiente, maior o potencial de proliferação dos aguapés. Dessa forma, verificamos que, hoje, a Lagoa da Petrobrás está com um alto índice de eutroficação (ou eutrofização), que é a proliferação de matéria orgânica em meio hídrico.




A aglomeração de aguapés forma um grande “tapete verde” e impede que os raios solares cheguem até a superfície da lagoa, diminuindo, consequentemente, a quantidade de oxigênio na água, causando a morte de seres vivos que ali residem. Além disso, os aguapés são plantas que possuem raízes longas e sua alta concentração dificulta a circulação dos peixes, fazendo com que eles fiquem ilhados em determinadas áreas ou presos.







A proliferação dos aguapés é um grande problema. Mas a solução não está na sua eliminação e, sim, no seu manejo. Se a extração dos aguapés for realizada de uma só vez, o poluente que é absorvido por eles fica na água e causa mais danos ambientais. Sua retirada deve ser gradual e o que é extremamente importante é buscar soluções  imediatas para minimizar o índice de poluição das águas que viabilizou sua proliferação.



A Lagoa da Petrobrás é um reservatório artificial, que foi criado na década de 60, para suprir a demanda de água da Refinaria Gabriel Passos no processo do refino do petróleo (uma área formada por fazendas e terras de propriedade do município de Ibirité foi desapropriada para construção da lagoa). 


Durante muitos anos, a lagoa foi um espaço de lazer, tanto para a população local, quanto para visitantes de regiões vizinhas. Era comum ver veículos estacionados e muitas pessoas às suas margens. Contudo, nos últimos anos, esse cenário mudou. A poluição de suas águas atingiu níveis alarmantes e, gradativamente, as pessoas deixaram de frequentar o local. Às suas margens, foram afixadas placas alertando para o perigo de contaminação pela esquistossomose.


Os aguapés evidenciam a grande contaminação por materiais orgânicos. Estudos indicam que há, ainda, o problema de contaminação da lagoa  por metais pesados: foi detectada a presença de mercúrio e cobre nas vísceras de peixes da lagoa (portanto, não consumam os peixes pescados no local. O acúmulo desses metais no organismo pode trazer graves problemas à saúde, como o câncer).


Há os que afirmam que no fundo da lagoa houve o assentamento de substâncias tóxicas acumuladas ao longo do tempo e defendem o esvaziamento da lagoa para a retirada desse passivo ambiental.

Há os que propõem utilizar os aguapés para retirar os metais pesados da água, mas é importante considerarmos o que faremos com a biomassa recolhida, que estará contaminada.

Há, também, a argumentação de que o problema maior da lagoa decorre do esgoto urbano, que, atualmente, é despejado "in natura" na lagoa e seus efluentes, provocando, além da proliferação dos aguapés, a floração de algas azuis (cianobactérias) e a contaminação por esquistossomose.  A região não dispõe ainda de um sistema de tratamento do esgoto urbano. Há perspectivas de implantação de uma ETE - Estação de Tratamento de Esgoto - no município de Ibirité até  meados do ano de 2013, conforme anunciou o representante legal Superintendente da Copasa, Eugênio Álvares, no 11º Seminário Participativo de Gestão das Águas da Lagoa de Ibirité, que ocorreu no dia 22 de março deste ano. (http://www.aguasdoparaopeba.org.br/conteudo.php?id=216).



Na busca de soluções, é importante a participação de todos nós - buscando os melhores recursos, estudos sobre o tema, dando sugestões aos administradores públicos, acompanhando a implantação da ETE, etc - para que possamos garantir a qualidade hídrica que tanto sonhamos em nossa região.










Um comentário:

  1. Apenas mais uma informação; A lagoa de Ibirité não apenas abastece a refinaria como tambem serve de despejo de afluentes da mesma, Será que estão sendo devidamente tratatos? sei não A COPASA e a UFMG discordão. E quem sofre com isso é toda a população do entorno passando pelo paraobeba ate chegar no Sao francisco. Nosso rio da INTEGRAÇÃO NACIONAL, que tem sua foz no mar Atlantico, ja se pegaram imaginando o tamanho do problema?

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